A febre e a especulação em torno do Pokémon Trading Card Game (TCG) atingiram um nível sem precedentes, onde produtos lacrados chegam a ser revendidos por milhares de dólares, filas se formam com dias de antecedência e assaltos a lojas de cards viraram rotina. Para tentar conter o avanço dos cambistas e evitar episódios de violência, a The Pokémon Company começou a adotar medidas de segurança extremamente rígidas em suas lojas físicas no Japão.

Após passar a exigir documento de identidade oficial com foto para a compra de cards no início deste ano, a empresa anunciou que cinco lojas temporárias (*pop-up shops*) no Japão utilizarão tecnologia de reconhecimento facial para clientes a partir da idade escolar primária. A medida estreia durante o lançamento da coleção japonesa Storm Emeralda — focada no lendário Rayquaza e lançada simultaneamente no app Pokémon TCG Pocket.

Como funciona o sistema de vigilância nas lojas

O objetivo do reconhecimento facial é impedir que uma mesma pessoa reentre na loja ou realize compras adicionais burlando os limites por cliente. Se o sistema identificar uma tentativa de violação das regras, a entrada da pessoa será automaticamente negada. A dinâmica impõe regras estritas para os visitantes:

  • Sem opção de recusa: Clientes que se recusarem a passar pelo escaneamento facial não poderão entrar no estabelecimento.
  • Saídas temporárias monitoradas: Para se ausentar rapidamente da loja (como para ir ao banheiro) e retornar, o cliente precisa avisar os funcionários previamente para não ser bloqueado pelo sistema na volta.
  • Crianças acompanhadas: Menores de idade mais novos só poderão entrar sob supervisão de um responsável legal.
  • Retenção de dados: A empresa garante que as fotos e dados faciais coletados serão excluídos do sistema após um "determinado período de tempo".

Segurança reforçada e políticas de privacidade

Embora a iniciativa vise frear o mercado paralelo e melhorar a experiência dos fãs, a política global de privacidade da The Pokémon Company prevê a coleta de dados abrangentes dos consumidores — que incluem desde fotos, áudios e e-mails até números de passaporte, carteira de motorista e ocupação para fins de pesquisa e pagamentos.

A preocupação com a segurança nas lojas físicas também ganhou um contorno trágico e urgente no país. Em março deste ano, a loja Pokémon Center Mega Tokyo precisou ser temporariamente fechada após um funcionário ser morto no local por um suposto perseguidor (*stalker*). A unidade foi reaberta oficialmente em agosto com protocolos de segurança reforçados.

Por enquanto, não há previsão de que o reconhecimento facial ou a checagem de documentos cheguem a países do Ocidente. No entanto, diante da onda de roubos e da disparada nos preços dos cards nos Estados Unidos e em outros mercados, parte da comunidade já enxerga com bons olhos a implementação de medidas mais severas.

O que você acha dessa decisão? Acredita que o reconhecimento facial é uma medida válida para conter o cambismo no Pokémon TCG ou acha que isso ultrapassa os limites da privacidade? Deixe sua opinião nos comentários e participe da conversa!