A Stripe e a gestora de investimentos Advent International estão negociando a compra do PayPal em um negócio que pode transformar a infraestrutura global de pagamentos digitais. A oferta inicial conjunta foi de US$ 60,50 por ação, avaliando o PayPal em aproximadamente US$ 53 bilhões. Como o conselho da empresa recusou a proposta inicial buscando uma avaliação mais alta, as partes negociam um valor superior para tentar selar o acordo nas próximas semanas.

A transação conta com o apoio de US$ 50 bilhões em financiamento bancário comprometido. Se o negócio for fechado, Stripe e Advent vão dividir o controle em partes iguais (50% para cada), mantendo as operações do PayPal unificadas em vez de fatiar ou vender suas unidades de negócio separadamente.

O interesse da Stripe no PayPal vai muito além do volume financeiro. Enquanto a Stripe é referência em infraestrutura e APIs para desenvolvedores e empresas, o PayPal traz uma base de mais de 430 milhões de contas de consumidores ativos, além do aplicativo Venmo e da PayPal Wallet. Caso a fusão se concretize, a nova entidade movimentará cerca de US$ 3,7 trilhões em transações anualmente.

A união das duas plataformas também acelera os planos da Stripe de expandir o produto de checkout rápido Link e integrar soluções de stablecoins e criptomoedas, criando canais diretos de pagamento que diminuem a dependência de bandeiras de cartão como Visa e Mastercard.

Crise de valorização no PayPal

A investida ocorre após um período prolongado de desvalorização do PayPal. A empresa, que chegou a valer US$ 320 bilhões no auge da pandemia, viu seu valor de mercado despencar para cerca de US$ 40 bilhões antes do surgimento das negociações. Sob a gestão do CEO Enrique Lores, assumida em março de 2026, a companhia já passava por uma reestruturação profunda com a divisão das operações em três unidades e o corte de aproximadamente 4.500 funcionários (20% da força de trabalho).

Caso as empresas cheguem a um acordo sobre o preço final por ação, a operação ainda precisará passar por uma análise rigorosa de órgãos reguladores antitruste na América do Norte e na Europa. Como você avalia os impactos dessa consolidação para os custos do comércio eletrônico e para quem vende online? Deixe sua opinião nos comentários.