A polêmica em torno das demissões na Rockstar Games ganhou um novo capítulo. O Rockstar Game Workers Union (RGWU), sindicato criado no início deste ano em resposta aos cortes de pessoal no estúdio de Grand Theft Auto VI, alcançou o maior número de membros de sua história e agora possui força suficiente para tentar obter o reconhecimento oficial da produtora.

De acordo com uma reportagem publicada pelo canal People Make Games, o RGWU solicitou formalmente que a Rockstar reconheça a organização de forma voluntária. Caso a empresa se recuse, o aumento no número de filiados abre caminho para o reconhecimento estatutário — um processo legal no Reino Unido que pode obrigar a produtora a reconhecer o sindicato por força da lei.

GTA 6, jogo da rockstar

Alex Marshall, presidente do Independent Workers' Union of Great Britain (IWGB) — entidade da qual o RGWU é subsidiário —, confirmou que as negociações com a Rockstar Games já estão em andamento, com uma primeira reunião prevista para acontecer em breve. Marshall afirmou que, caso a produtora não negocie de boa-fé, o sindicato utilizará outros mecanismos legais para garantir o reconhecimento.

Segundo o presidente da entidade, houve um "efeito inibidor" na disposição dos funcionários em se sindicalizar imediatamente após a demissão de cerca de 30 desenvolvedores no ano passado. No entanto, o cenário mudou com o tempo:

  • Reconstrução do movimento: Após o impacto inicial das demissões, a disposição dos funcionários em se organizar aumentou significativamente dentro do estúdio.
  • Maior sindicato do setor no Reino Unido: Se reconhecido, o RGWU se tornará o segundo e, de longe, o maior sindicato de desenvolvedores de jogos do Reino Unido (atualmente o maior é o da ZA/UM, formado em outubro passado).

A Rockstar enfrenta acusações da comunidade e de entidades trabalhistas de tentar praticar union-busting (ações para desencorajar ou desfazer sindicatos) com os cortes do ano passado. A produtora nega veementemente as acusações, alegando que não tinha conhecimento de quem era ou não membro da organização quando desligou os funcionários por o que chamou de justa causa.

O caso se tornou um dos temas trabalhistas mais debatidos na indústria de jogos britânica, gerando protestos em frente aos escritórios da Take-Two (empresa-mãe da Rockstar) e chegando a ser citado no Parlamento do Reino Unido pelo ex-primeiro-ministro Keir Starmer, que classificou as demissões como "profundamente preocupantes".